Coluna Gustavo Longo - Quebrando o gelo

05 outubro



Sempre me considerei um cara de sorte quando inicio novos projetos. Não preciso quebrar a cabeça para pensar textos de boas vindas, onde falo como é legal fazer parte de um projeto deste tipo e coisas assim. Não. Sempre acontece algo que mereça relevância quando inicio uma coluna.

Aqui, claro, não foi diferente. No último sábado, dia 28, a patinação artística no gelo escreveu um capítulo histórico no esporte brasileiro. Pela primeira vez o país classificou uma atleta da modalidade nos Jogos Olímpicos de Inverno. O evento acontecerá em Sochi, em fevereiro do ano que vem.

Mas dizer que o país classificou uma atleta pode beirar a heresia. O feito foi fruto quase que exclusivamente de Isadora Williams, nascida nos EUA, mas com mãe brasileira, lá de Minas Gerais. A Confederação de Desporto no Gelo, envolvo a problemas judiciais e crises financeiras, não pôde dar o total respaldo quando a atleta mais precisou. Apenas nesta temporada, após intervenção judicial e novas eleições, que a CBDG conseguiu dar suporte à jovem atleta.

Mas ninguém merece falar de algo problemático no primeiro post. O foco aqui é Isadora. Ela ficou na 12ª posição do Troféu Nebelhorn e pegou a última vaga para Sochi. Resultado que marca não só a evolução da jovem, de apenas 17 anos, como também do próprio Brasil.

Tudo começou lá em 2007, com Stephanie Gardner e Simone Pastusiak, passando por Alessia Baldo, Stacy Perfetti e Elena Rodrigues, até chegar em Isadora Williams, uma daquelas atletas que surgem no Brasil em condições tão inóspitas que ninguém sabe explicar.

A inédita vaga olímpica pode ser o simbolismo de uma nova fase do esporte aqui no Brasil. Após anos de incerteza, temos uma confederação reestruturada, dois atletas muito talentosos (Luiz Manella ficou a uma posição dos Jogos de Inverno entre os homens) e mídia de olho num esporte que, mesmo sem brasileiros, foi recorde de audiência nos Jogos de Inverno de 2010.

Tanto que neste fim de semana haverá um torneio Open no Rio de Janeiro e a CBDG já se organiza para criar um estadual oficial no estado. Com o perdão do trocadilho, parece que a patinação finalmente está quebrando o gelo aqui neste país tropical abençoado por Deus. Pelo visto não vai faltar assunto para esta coluna nos próximos meses!

* Gustavo Longo é jornalista, editor do blog Brasil Zero Grau e
escreverá sempre sobre Patinação no Gelo no blog Patinadora Pop

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